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Antídoto da guerra.

24 Set

O que faz uma pessoa desejar estar no meio dos horrores da guerra? Acordar e perceber que ele precisa ir aos campos de batalha, conhecer de perto a realidade de quem vive ali?

O homem que apresento hoje resolveu, em plena guerra do Vietnã, que alguém precisava mostrar o que a mídia, os governos não mostravam. E até hoje, James Nachtwey é conhecido por ser o fotógrafo de guerra.

James Nachtwey

James Nachtwey

James, não é simplesmente o fotógrafo contratado por alguma revista, que vai, faz algumas fotos, entrega a revista, pega seu dinheiro e vai embora. James vai à campo para mostrar à nós a brutalidade do homem, dar voz as vítimas de guerra.  Ele assume o papel de pertencer aquele lugar, venerando o respeito ao sofrimento alheio, interagindo intimamente com as pessoas e situações, suas fotos são como porta-vozes do que nos é alheio, do que “não nos pertence” por estar acontecendo do outro lado do mundo.

Não se permitiu ter mais nada e nem ninguém na vida, a não ser a fotografia, por se dedicar ao sofrimento do próximo. Esteve nos campos do Vietnã, nos confrontos palestinos, nas misérias da Indonésia e na fome da África. Já foi atingido 5 vezes, contraiu doenças graves e traumas físicos irreparáveis. Mas nunca deu vez para o medo. A esperança de que o bem (vindo através de suas imagens ou de qualquer outro lugar) vença o mau não o faz parar. Ele é movido a isso.

Ver as imagens de James é parar para pensar que não é do mesmo mundo que estamos falando. A capacidade do ser humano em destruir por qualquer motivo é elevada a décima potência com a proximidade das fotografias. Saber que as pessoas morrem de fome nos locais que deveriam ser para socorro de alimento é de arrepiar a espinha e colocar em xeque o que estamos fazendo das nossas vidas.

Para James “a força da fotografia reside na sua capacidade de evocar um senso de humanidade. Se a guerra é uma tentativa de negar a humanidade, então à fotografia pode ser percebida como o oposto de guerra, e se é bem utilizada pode ser um ingrediente poderoso no antídoto para a guerra.

De certa forma, se um indivíduo assume o risco de se colocar no  meio de uma guerra, a fim de comunicar ao resto do mundo o que está acontecendo, ele está tentando negociar a paz. Talvez seja essa a razão pela qual  os responsáveis por perpetuar uma guerra não gostem de ter fotógrafos por perto. 

Ocorreu-me que se todos pudessem estar lá apenas uma vez […] para ver por si mesmo o medo e a tristeza, então eles entenderiam que não vale a pena deixar as coisas chegarem ao ponto onde isso acontece a apenas uma pessoa, quem dirá a milhares.”

O documentário sobre a vida de James, além de incrível, choca. Pra assistir, é importante ter bastante força…

Aqui, você conhece um pouco mais do trabalho deste grande jornalista: http://www.jamesnachtwey.com/

É isso, então.

Um ótimo café!

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Publicado por em Setembro 24, 2012 em Foto

 

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