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Pouco Falo

Me pego rindo sozinho, com o corpo cansado e esticado no sofá da sala escura. É um domingo, monótono como todos os outros. Já pensando na semana pesada que está prestes a começar.

Mas retorno o meu pensamento no porquê de estar sorrindo. Não aquele sorriso escancarado de orelha a orelha, típico de uma pessoa realizada. Não, nem perto desse. É um sorriso de canto de boca que quer aparecer, mas não aparenta ter força nem motivo suficiente.

E começo a pensar em quantas coisas já vividas até aqui. Quantos planos traçados e tão poucos cumpridos. Quantos amores vividos, uns desperdiçados, uns não retribuídos e outros que não pude retribuir. Quantas bebedeiras “saudáveis” e tantas outras para afogar mágoas… quantos vexames! Uma vontade real de ir para longe, largar tudo de material, que poucos sabem; e os que sabem não acreditam.

Quantos tapas e tombos a vida já proporcionou. É realmente irônica a forma como somos surpreendidos. Não digo de forma negativa, por vezes aconteceram surpresas boas. E percebo que a pessoa com que mais aprendi na vida não mais está ao meu lado. Não fisicamente.Me pergunto se estou a decepcionando com a forma que tenho encarado as coisas. Para ser mais honesto, como tenho me escondido das coisas.

Escrevo, penso, sinto, pouco falo e acabo voltando aos amores… então entendo o porque da risada sem graça no canto da boca na sala, agora fria e ainda mais escura. Só que agora, com uma lágrima escorrendo no canto dos olhos.

 

Texto por: Carlos Guilherme Gomes Serrano

 
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Publicado por em Outubro 3, 2012 em Texto

 

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